Vila Esperança · Canudos · Bahia
Bordado à mão em Canudos, do nosso jeito.
Panos de prato bordados ponto a ponto pelas mulheres do Grupo Xique-xique da Paz, no sertão da Bahia. Nenhum é igual ao outro. Nenhum passou por máquina.
Segunda leva: 33 kits · R$ 70 + frete · Pedido pelo WhatsApp · Envio de Jundiaí-SP em até 7 dias

Em 2024, uma das bordadeiras do grupo tinha 60 anos. Para bordar com as outras, ela saía de casa de chinelo de dedo e andava duas horas por uma estrada de terra cheia de pedra. Bordava. Depois voltava pelo mesmo caminho: mais duas horas.
Ninguém anda quatro horas por um pano de prato.
Anda por um ofício, por um grupo e por um lugar à mesa.
Esta é a história desse lugar.
Capítulo 02 · A TERRA
Antes de virar bordado, foi chão.
Canudos fica no sertão norte da Bahia, na caatinga, o único bioma que só existe no Brasil.

Quem conhece Canudos pelos livros de escola conhece pela guerra.
No fim do século XIX, milhares de sertanejos seguiram Antônio Conselheiro e ergueram ali um arraial que chamaram de Belo Monte. Entre 1896 e 1897, a República mandou quatro expedições militares contra eles. Euclides da Cunha acompanhou a última como correspondente e, em 1902, publicou Os Sertões, um dos livros mais importantes do país.

Euclides escreveu sobre o chão, e escreveu muito sobre as plantas. Ele lista o xique-xique, a palmatória, o rabo-de-raposa, o mandacaru, a cabeça-de-frade, o columbi, o cansação, a favela, a quixaba, a macambira e a cumanã, um cipó tão fechado que “a foice mais afiada” dos soldados “dificilmente as decepava nos primeiros golpes”. A caatinga também resistiu.
O arraial caiu em 5 de outubro de 1897. No dia seguinte, as 5.200 casas foram desmanchadas, “cuidadosamente contadas”. Décadas depois, as águas do açude de Cocorobó cobriram o lugar da Canudos antiga. A cidade de hoje nasceu ao lado, e hoje tem 16.105 moradores.
O sertão segue de pé, e as plantas também. São elas que viraram referência para os desenhos dos panos do grupo.
“Canudos não se rendeu.”
Capítulo 03 · A VILA
Um rio que quase nunca corre, e uma vila com nome de promessa.

A Vila Esperança é um povoado na zona rural de Canudos, perto do Rio Bendegó. Na maior parte do ano, o Bendegó é um leito seco: o rio mais próximo tem água só alguns dias por ano. O chão é de pedra para todo lado, de toda forma, cor e textura.
As casas da vila foram levadas pela ONG Retratos de Esperança, que visita o lugar com uma caravana a cada seis meses. A água chega de cisterna e de caminhão-pipa.
Em dezembro de 2023, as bordadeiras foram perguntadas sobre o que mais faltava. A resposta não foi dinheiro. Foi água: para tomar banho e lavar roupa. E sobre o que sonhavam, falaram de trabalho: um lugar só do grupo para bordar, com um canto para as crianças brincarem por perto.


Repare no sonho: um lugar de trabalho.
Capítulo 04 · ANTES
Elas já tinham tentado. Muitas vezes.
O bordado não foi a primeira ideia. Antes dele, as mulheres da vila tinham tentado pano de prato, sabonete, biocarvão e crochê. Nenhuma dessas tentativas vingou. Os grupos que chegaram a dar algum dinheiro duraram no máximo três meses.
Quem acompanhava a vila foi direto ao ponto: vontade, tempo e disposição elas tinham. O que faltava era o resto.
O material para trabalhar chega por Salvador. A cidade grande mais perto, Juazeiro, fica a quase quatro horas. Sem linha chegando sempre, o trabalho parava. E ainda sobravam as perguntas que travam qualquer começo: para quem vender? Quanto fazer?
Então, quando uma nova ideia chegou à vila, a pergunta não era se elas sabiam fazer. Era se dessa vez o resto ia chegar junto.
Vontade nunca faltou. Faltava linha chegando e gente comprando.
Capítulo 05 · A ESCOLHA
Tinha pedra para todo lado. Elas escolheram linha.


Em 2023, alunos do MBE da Unicamp, uma pós-graduação da Faculdade de Engenharia Elétrica, foram à Vila Esperança numa imersão de empreendedorismo. As mulheres que quiseram ouvir se dividiram em grupos. No de artesanato ficaram umas doze.

Elas contaram o que já tinham tentado e o que queriam. Na vila, pedra é o que não falta: de toda forma, cor e textura. Seria o material óbvio. Mas elas queriam bordar, e bordar em pano de prato.
Quem conduzia a conversa anotou depois: “Respeitamos isso e não impusemos nada.”
O convite foi para que elas se dessem mais uma chance. Seis disseram sim.
Capítulo 06 · O NOME
Xique-xique da Paz.
O nome de um cacto e um combinado.

Na mesma reunião, as seis precisavam dar um nome ao grupo.
- Xique-xique
- é o cacto que cresce rente às pedras da caatinga e aguenta a seca com o essencial. Está na lista de plantas de Euclides da Cunha, e é a mais comum na paisagem da vila.
- Da Paz
- é o combinado delas: ali dentro, o grupo trabalha junto e em paz.
Um ano depois, o grupo continuava. Bordando junto, sem briga.
Capítulo 07 · O DIA
Quase todo dia, no chão de uma casa.
O grupo se encontra quase todo dia na casa de uma das bordadeiras. Sentam no chão, cada uma com o seu pano no colo.
Quem sabe mais ensina tudo o que sabe às outras. Erro faz parte. O ponto torto se desmancha e se refaz.



O material é simples, e cada peça foi escolhida: pano de prato de algodão com bainha, linha fio 6 em sete cores (preta, verde, vermelha, amarela, azul, marrom e cor-de-rosa), agulha número 9, bastidor de madeira e uma caneta que risca o desenho no tecido.
Os pontos novos, como o ponto atrás e o ponto cheio, elas aprenderam por vídeo, no celular. O grupo prefere áudio e imagem a texto. As instruções chegam por mensagem de voz, e as peças prontas voltam em foto. Aos sábados, às 11h, tinha reunião por chamada de vídeo. O horário foi escolha delas.
As famílias são grandes e as crianças estão sempre por perto. Por isso, no sonho do lugar próprio do grupo, cabe também um canto para elas brincarem.
Uma ensina a outra. É assim desde o começo.
Capítulo 08 · A CHUVA
A meta era um caminhão-pipa.
Quando o primeiro plano foi montado, a meta não foi abstrata. Foi R$ 250: o preço de um caminhão-pipa para encher as cisternas da vila.
Antes de qualquer ajuda de fora, elas venderam o primeiro pano por conta própria, num evento em Uauá. Na caravana de dezembro, venderam três chaveiros. Tentaram uma barraca na feira de Canudos, emprestada por uma amiga da cidade, e esbarraram na licença da prefeitura.
As vendas daquela primeira fase não chegaram aos R$ 250.
Naquela mesma semana, choveu, e as cisternas encheram.
Fé de um lado, trabalho do outro. As duas coisas ao mesmo tempo, que é como se faz no sertão.
Capítulo 09 · A JORNADA
De uma conversa na vila até a sua casa.
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Imersão do MBE Unicamp na Vila Esperança. Umas doze mulheres no grupo de artesanato e seis decidem seguir. Nasce o Xique-xique da Paz.
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Com os métodos de empreendedorismo de impacto ensinados no curso, pela Venture Hub, começa o plano: para quem é, o que fazer, como vender. Começam também as entrevistas com a ONG, com quem foi na caravana, com artistas do Nordeste e com as seis bordadeiras.
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As seis dizem o que querem: reunião todo sábado às 11h e uma barraca na feira de Canudos.
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Primeiras vendas: um pano num evento em Uauá, vendido por elas mesmas, e três chaveiros na caravana de dezembro.
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Guardanapos brancos, linhas e retalhos chegam à vila. Pelo transporte voluntário, a viagem levou dois meses.
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Primeira remessa pelo correio, que chega a São Paulo em 15 dias: 40 panos bordados, 41 descansos de panela de fuxico e 100 chaveiros e brincos.

A primeira remessa: descansos de fuxico, brincos e chaveiros. -
A primeira leva de panos é vendida aos colegas do MBE, de boca a boca, em cestinhas com uma carta contando a história do grupo. Cerca de R$ 2 mil voltam para o grupo em Canudos.

Os primeiros kits, em cestinha, a caminho dos colegas do MBE. -
A compra de matéria-prima e a venda passam para as mãos das bordadeiras.
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A história do grupo vira trabalho de conclusão de curso na Unicamp. No ar, o primeiro site e o Instagram @grupo_xiquexiquedapaz. A banca dá um conselho: “ousar, ousar mais”.
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Formatura do MBE. Canudos e a Vila Esperança sobem ao palco no discurso de uma formanda.

Homenagem da 1ª turma do MBE Unicamp à Laura Amorim, out. 2024. -
O grupo seguiu bordando em Canudos. Do lado de cá, a Laura seguiu instalando energia solar fotovoltaica e aprendendo a implementar inteligência artificial.
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Chega a segunda leva: 33 kits saem de Canudos para Jundiaí. Nasce este site, e o Kit Canudos começa a viajar.


Datas até out. 2024 tiradas do trabalho de conclusão de curso “Empreendedorismo Social: Grupo de artesanato Xique-xique da Paz” (MBE Unicamp, 2024). As seguintes, do relato da Laura (out. 2026).
Capítulo 10 · QUEM CUIDA
Quem cuida do caminho até você.

A Laura Amorim é engenheira eletricista, formada pela Unicamp e dona de uma empresa de energia solar em Jundiaí-SP. Ela foi à Vila Esperança na imersão do MBE para ajudar a construir uma casa. O material da obra não chegou, ela ficou sem função e pediu para ajudar no grupo de empreendedorismo. Caiu no artesanato. Ela mesma escreveu: “embora eu não soubesse bordar”.
O papel dela é outro: acompanhar o grupo de longe, a 2.232 km, com ligação semanal e mensagem de áudio. Ela também cuida de fazer a linha chegar lá e de fazer o bordado chegar até você.
Quem borda são elas. A Laura cuida do caminho.
“Elas se preocupam comigo aqui tão longe.”
Capítulo 11 · O KIT
Dois panos, um brinco e uma viagem de 2.232 km.
R$ 70 + frete Segunda leva: 33 kits





O que vem
- Um pano bordado à mão. Desenho livre, no traço do grupo: cactos de vaso com carinha, flores, “Canudos Bahia”, “Boa tarde”. Cada letra foi bordada ponto a ponto, e dá para ver.
- Um pano com barra de tecido estampado e fuxico. Fuxico é aquela flor de retalho franzido, feita à mão, círculo por círculo.
- Um brinco artesanal, para fechar o presente.
Nenhum kit é igual ao outro. Os desenhos mudam de pano para pano, porque cada um saiu de uma mão. Nos 33 kits desta leva, as cores, as letras e os cactos variam. O seu vai ser só seu.
E um aviso honesto: os bordados não são perfeitos. Tem letra que sobe, linha que entorta, flor com uma pétala maior que a outra. Não é defeito de fábrica, porque não tem fábrica. É a marca de quem fez.
O seu kit atravessa o país antes de chegar até você.
Ele começa na Vila Esperança, no chão de uma casa, em Canudos. Depois viaja 2.232 km até Jundiaí, no interior de São Paulo. De Jundiaí, é despachado para a sua casa em até 7 dias.
Dentro vai uma carta contando de onde ele veio.
O pedido abre no WhatsApp com a mensagem pronta. É só completar seu nome, cidade e CEP e enviar. A gente responde com o valor do frete e combina o pagamento.
Capítulo 12 · O QUE MOVE
Você não está fazendo uma doação. Está comprando um bordado.
A gente prefere ser clara: o Kit Canudos não é caridade com brinde. É um presente bonito, feito à mão, com origem verdadeira. Se não fosse bonito, não estaria à venda.
O que a compra move é simples. Lembra o que fez as tentativas antigas pararem? Faltava linha chegando e gente comprando longe dali. Cada kit vendido é gente comprando longe, e é isso que faz a próxima leva de linha chegar.
Quando o grupo nasceu, o objetivo escrito era uma renda à altura do esforço de quem borda. É nesse caminho que a gente está.
Quanto de cada kit vai para o grupo?
Estamos fechando essa conta com as bordadeiras e vamos publicar aqui, com número. Preferimos não prometer antes de ter a conta pronta.
Capítulo 13 · COMO PEDIR
Do jeito mais simples: uma mensagem.
- Chame no WhatsApp. Toque no botão, diga quantos kits quer e para qual cidade.
- Combine pagamento e frete. A gente responde com o valor do frete para o seu CEP e a forma de pagamento.
- Receba em casa. O kit sai de Jundiaí-SP em até 7 dias, com a carta dentro.
Quem responde é a Laura, de Jundiaí. Segunda leva: 33 kits.
Bom saber antes de pedir
- Frete
- Frete à parte, calculado pelo seu CEP. O kit vai pelos Correios, saindo de Jundiaí-SP.
- Prazo
- Postagem em até 7 dias (uma semana) depois da confirmação do pagamento. Depois disso, o tempo de entrega é o dos Correios até a sua cidade.
- Pagamento
- Combinado na conversa do WhatsApp. Nenhum dado de pagamento é pedido neste site.
- Desistência
- Você pode desistir da compra em até 7 dias depois de receber o kit, como garante o Código de Defesa do Consumidor (art. 49). É só avisar pelo mesmo WhatsApp.
Capítulo 14 · PERGUNTAS
Perguntas frequentes
Quanto custa?
R$ 70 por kit, mais o frete até a sua cidade. O frete é calculado no WhatsApp, pelo seu CEP.
O que vem no kit?
Dois panos de prato (um bordado à mão e um com barra estampada e fuxico) e um brinco artesanal. Vai também uma carta contando a história do grupo.
Posso escolher o desenho?
Os kits saem sortidos, e cada um é diferente.
Quanto tempo leva para chegar?
O kit sai de Jundiaí-SP em até 7 dias. Depois disso, é o prazo do correio ou da transportadora até a sua cidade. A gente te passa o código de rastreio.
Por que sai de Jundiaí, e não de Canudos?
Da vila até a agência de correio mais perto, a estrada é longa. O grupo já testou e sabe: mandar peça por peça a partir de Canudos atrasa tudo. Os kits viajam juntos até Jundiaí e de lá seguem para você.
O bordado tem defeito?
Não tem fábrica, então não tem defeito de fábrica. Tem a marca de quem fez: letra que sobe, ponto que entorta. Se o kit chegar danificado no transporte, fale com a gente.
Como lavo?
Lave à mão, com água fria e sabão neutro, e seque à sombra.
É doação?
Não. É uma compra. Você leva um bordado feito à mão em Canudos, e o grupo vende o próprio trabalho.
Quanto fica para as bordadeiras?
Estamos fechando essa conta com elas e vamos publicar o número aqui.
Posso comprar vários para dar de presente (empresa, turma, evento)?
Esta segunda leva tem 33 kits. Para volume, chame no WhatsApp.
Por que “Xique-xique da Paz”?
Xique-xique é o cacto da caatinga que cresce entre as pedras. “Da Paz” é o combinado delas: ali dentro, o grupo trabalha junto e em paz.
Capítulo 15 · AGORA
Ousar mais.

Em 2024, quando a história do grupo foi apresentada na Unicamp, a banca deixou um conselho: ousar, ousar mais. Não mirar uma renda pequena, e sim uma renda que dê conta das necessidades e dos sonhos de cada mulher do grupo.
O Kit Canudos é o próximo passo dessa ousadia. São 33 kits, cada um diferente, bordados à mão na Vila Esperança.
Quando alguém perguntar de onde veio o seu pano de prato, você vai ter uma história para contar.
Bordado à mão em Canudos, do nosso jeito.